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Mapa de Responsabilidades de Crédito: como consultar e ler

O Mapa de Responsabilidades de Crédito mostra todos os créditos em teu nome. Fica a saber como o obter de graça, como interpretar cada campo e como corrigir erros.

· 5 min de leitura

Mapa de Responsabilidades de Crédito: como consultar e ler

Quando pedes um empréstimo, o banco quer saber que outros créditos tens em teu nome e se costumas pagá-los a tempo. Grande parte dessa informação vem de um documento que também podes, e deves, consultar: o Mapa de Responsabilidades de Crédito, emitido pelo Banco de Portugal.

Muitas pessoas só ouvem falar dele quando um pedido de crédito é recusado. Mas conhecer o teu mapa com antecedência permite detectar erros, perceber como os bancos o vêem e até descobrir responsabilidades de que já nem te lembravas, como uma fiança assinada há anos. Neste artigo explicamos como o obter, como o ler e o que fazer se encontrares algo errado.

O que é a Central de Responsabilidades de Crédito

A Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) é uma base de dados gerida pelo Banco de Portugal. Todos os meses, bancos, sociedades financeiras e outras instituições que concedem crédito comunicam-lhe as responsabilidades dos seus clientes, desde que o valor em causa atinja o montante mínimo definido pelo Banco de Portugal (actualmente, 50 euros).

O Mapa de Responsabilidades de Crédito é o resumo dessa informação para cada pessoa ou empresa. Inclui créditos à habitação, créditos pessoais e automóveis, cartões de crédito, descobertos autorizados, garantias prestadas e outras responsabilidades, efectivas ou potenciais.

Não é uma "lista negra"

Ao contrário do que muitos pensam, estar na CRC não significa estar numa lista de maus pagadores. Qualquer pessoa com um crédito à habitação ou um cartão de crédito aparece lá. O que pesa na avaliação dos bancos é o tipo de informação registada: se os pagamentos estão em dia ou se há prestações em atraso, créditos em contencioso ou abatidos ao activo.

Como obter o teu mapa

A consulta é gratuita e pode ser feita de duas formas:

  1. Online, através da área de Particulares do site do Banco de Portugal ou do Portal do Cliente Bancário, com autenticação segura, por exemplo com Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão. O mapa fica disponível de imediato.
  2. Presencialmente, num dos balcões de atendimento do Banco de Portugal, mediante identificação.

Os dados são actualizados mensalmente, por isso o mapa mais recente reflecte, em regra, a situação do final do mês anterior. Podes também consultar mapas de meses passados, o que é útil para verificar a evolução das tuas dívidas.

Como ler o mapa, campo a campo

À primeira vista, o documento pode parecer técnico. Estes são os elementos mais importantes:

  • Instituição: a entidade que comunicou a responsabilidade.
  • Tipo de produto: crédito à habitação, crédito ao consumo, cartão de crédito, descoberto, entre outros.
  • Tipo de responsabilidade: indica se és devedor directo, se partilhas o crédito com outra pessoa ou se és apenas garante, por exemplo fiador ou avalista.
  • Montante total em dívida: quanto falta pagar, separando o montante vivo, em dia, do montante em incumprimento.
  • Montante potencial: crédito que podes vir a usar, como o plafond disponível de um cartão ou de uma conta-ordenado com descoberto. Mesmo sem o usar, os bancos podem tê-lo em conta.
  • Situação: se o crédito está regular, em incumprimento, renegociado ou em contencioso.
  • Datas e prazos: início e fim do contrato, e periodicidade das prestações.

Quando o mapa partilha dívidas com outros

Se és fiador de um familiar ou tens um crédito à habitação em conjunto, essa responsabilidade aparece no teu mapa. Isso significa que, aos olhos dos bancos, aquela dívida também é tua. Antes de assinares como fiador, tem presente que isso pode limitar a tua própria capacidade de obter crédito no futuro.

Porque é que deves consultá-lo regularmente

  • Antes de pedir crédito: saberás exactamente o que o banco vai ver e poderás antecipar perguntas. No nosso artigo sobre como conseguir a aprovação de um crédito pessoal explicamos outros factores que pesam na decisão.
  • Para detectar fraudes: um crédito que não reconheces pode ser sinal de que alguém usou os teus dados.
  • Para confirmar liquidações: depois de pagares um empréstimo ou cancelares um cartão, verifica se a responsabilidade desapareceu nos meses seguintes.
  • Para controlar o endividamento: ver todas as dívidas num só documento ajuda a perceber o peso real das prestações no orçamento familiar.

Encontraste um erro? Fica a saber como corrigir

O Banco de Portugal não altera a informação por iniciativa própria: limita-se a reunir o que as instituições comunicam. Por isso, se detectares um erro, segue estes passos:

  1. Contacta a instituição que comunicou a informação, por escrito, explicando o erro e juntando documentos que o comprovem, como uma declaração de liquidação do empréstimo.
  2. Guarda prova do contacto e da resposta. A instituição deve analisar o pedido e, se der razão ao cliente, rectificar a informação junto da CRC.
  3. Se não obtiveres resposta satisfatória, podes apresentar reclamação ao Banco de Portugal, através do Portal do Cliente Bancário, ou no Livro de Reclamações da instituição.

Tem em atenção que um incumprimento verdadeiro, ainda que já regularizado, pode continuar visível no histórico dos meses em que ocorreu. A forma mais eficaz de melhorar o teu perfil é manter os pagamentos em dia a partir de agora.

Como usar o mapa a teu favor

O mapa é também uma ferramenta de gestão. Ao revê-lo, pergunta-te:

  • Tenho cartões de crédito ou descobertos que não uso e que aumentam o meu crédito potencial?
  • Há pequenos créditos ao consumo que poderia liquidar antecipadamente?
  • O total das prestações mensais é confortável face ao rendimento do agregado?

Cancelar plafonds que não utilizas e reduzir o número de créditos em simultâneo são passos simples que tornam o teu perfil mais sólido.

Conclusão

O Mapa de Responsabilidades de Crédito é gratuito, fácil de obter e diz muito sobre a tua vida financeira. Consultá-lo uma ou duas vezes por ano, e sempre antes de pedir um empréstimo, permite corrigir erros a tempo, detectar usos indevidos dos teus dados e negociar com os bancos com mais informação. Num tema em que a confiança é tudo, conhecer o que os outros sabem sobre ti é o primeiro passo.

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