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Fundo de emergência: quanto ter e onde guardar o dinheiro

Um fundo de emergência protege-te de avarias, doenças ou perda de rendimento. Fica a saber quanto deves juntar, onde o guardar com segurança e como o construir passo a passo.

Por Equipa Vamos Poupar · · 5 min de leitura

Fundo de emergência: quanto ter e onde guardar o dinheiro

O carro avaria, a máquina de lavar deixa de funcionar, um dos membros da família fica sem emprego. Ninguém planeia estes momentos, mas quase todos passam por eles. A diferença entre um susto e uma crise financeira está, muitas vezes, num único factor: ter ou não ter dinheiro de lado para imprevistos.

É para isso que serve o fundo de emergência. Neste artigo explicamos quanto deves juntar, onde o deves guardar, como o construir mesmo com um orçamento apertado e quando faz sentido usá-lo.

O que é um fundo de emergência

Um fundo de emergência é uma reserva de dinheiro destinada exclusivamente a despesas inesperadas e urgentes. Não é uma poupança para férias, para trocar de telemóvel ou para dar entrada numa casa. É uma almofada que te permite enfrentar um problema sem recorrer a crédito caro, como cartões de crédito ou descobertos bancários, e sem ter de vender investimentos num mau momento.

Para cumprir essa função, o fundo deve ter três características:

  • Segurança: o valor não pode oscilar nem correr o risco de perda.
  • Liquidez: tem de estar disponível rapidamente, em poucos dias.
  • Separação: deve estar fora da conta do dia-a-dia, para não ser gasto por distracção.

Quanto dinheiro deves ter

A regra prática mais citada aponta para um valor equivalente a três a seis meses de despesas essenciais. Repara que se fala de despesas, e não de salário: o que interessa é quanto precisas para viver se o rendimento parar.

Como fazer as contas

  1. Soma as despesas fixas mensais: renda ou prestação da casa, electricidade, água, gás, telecomunicações, seguros, transportes, escola dos filhos e prestações de créditos.
  2. Acrescenta uma estimativa realista para alimentação, saúde e higiene.
  3. Multiplica o total pelo número de meses que consideras adequado.

Por exemplo, uma família com 1.500 euros de despesas essenciais por mês deverá ter como objectivo entre 4.500 e 9.000 euros.

Quando deves apontar para mais meses

O valor certo depende da tua situação. Faz sentido ter uma reserva maior se:

  • trabalhas por conta própria ou tens rendimentos variáveis;
  • és a única fonte de rendimento do agregado;
  • tens filhos ou outras pessoas a cargo;
  • trabalhas num sector com muita instabilidade;
  • tens uma casa ou um carro mais antigos, com maior probabilidade de reparações.

Pelo contrário, um casal com dois salários estáveis e sem dependentes pode sentir-se confortável com um valor mais próximo dos três meses.

Onde guardar o fundo de emergência

Este é o dinheiro que não pode falhar, por isso a rentabilidade fica em segundo plano. As opções mais adequadas são:

  • Conta de poupança ou depósito a prazo com mobilização antecipada: permite levantar o dinheiro quando precisares, idealmente sem perder os juros ou perdendo apenas uma parte. Lê com atenção as condições de mobilização antes de subscrever.
  • Uma segunda conta à ordem, separada da principal: menos rentável, mas com acesso imediato. Podes guardar aqui uma pequena parte do fundo para emergências do próprio dia.
  • Certificados de Aforro: são garantidos pelo Estado, mas têm um prazo mínimo antes de poderem ser resgatados. Funcionam melhor para a parte do fundo que dificilmente vais precisar a curto prazo. Podes saber mais no nosso artigo sobre o AforroNet.

O que evitar

Acções, fundos de investimento, criptoactivos ou PPR não são adequados para um fundo de emergência. Podem valer menos precisamente no momento em que precisas do dinheiro, e alguns têm penalizações ou custos fiscais em caso de resgate antecipado.

A protecção dos depósitos

Os depósitos bancários em Portugal estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por depositante e por instituição. Todos os depósitos que tenhas no mesmo banco são somados para efeitos desse limite. Nas contas colectivas, o limite aplica-se a cada titular. Para a esmagadora maioria das famílias, isto significa que o fundo de emergência está totalmente protegido. Podes confirmar se uma instituição está autorizada a receber depósitos no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal.

Como construir o fundo, passo a passo

Juntar vários meses de despesas pode parecer inalcançável. O segredo está em começar pequeno e ser consistente.

  1. Define uma primeira meta modesta, como 500 ou 1.000 euros. Esta pequena reserva já evita muitos recursos a crédito.
  2. Automatiza a poupança. Programa uma transferência para a conta do fundo logo no dia em que recebes o salário. O que não vês, não gastas.
  3. Aproveita dinheiro extra. Reembolso do IRS, subsídios de férias e de Natal ou prémios são boas oportunidades para dar um salto.
  4. Revê despesas fixas. Renegociar telecomunicações, seguros ou o tarifário de energia liberta dinheiro todos os meses. Vê as nossas dicas de poupança em electricidade e gás.
  5. Acompanha o progresso. Ver o saldo crescer é uma excelente motivação.

Quando usar e como repor

Antes de mexer no fundo, faz três perguntas: é inesperado? É necessário? É urgente? Se a resposta for sim às três, usa-o sem culpa: foi para isso que o criaste. Uma reparação urgente do carro de que precisas para trabalhar qualifica-se; uma promoção imperdível não.

Depois de usar o fundo, a prioridade passa a ser repô-lo. Retoma as transferências automáticas e, se possível, reforça-as temporariamente até voltares ao valor de referência.

Revê também o objectivo uma vez por ano ou sempre que a tua vida mude: um novo filho, uma mudança de casa ou de emprego podem alterar o valor de que precisas.

Conclusão

Um fundo de emergência não rende muito, mas compra algo valioso: tranquilidade. Com três a seis meses de despesas essenciais guardados num local seguro e acessível, um imprevisto deixa de ser uma ameaça ao orçamento familiar. Começa hoje, mesmo que seja com pouco, e trata esta poupança como uma conta a pagar todos os meses, a ti próprio.

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