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Depósitos a prazo: como escolher e comparar antes de aplicar

TANB, TANL, impostos, mobilização antecipada e garantia até 100 mil euros: o que deves analisar antes de escolher um depósito a prazo para as tuas poupanças.

· 5 min de leitura

Depósitos a prazo: como escolher e comparar antes de aplicar

Os depósitos a prazo continuam a ser o produto de poupança preferido de muitas famílias portuguesas. São simples, conhecidos e, dentro de certos limites, garantidos. Mas nem todos os depósitos são iguais: a taxa anunciada em letras grandes nem sempre corresponde ao que vais realmente receber, e as condições de mobilização antecipada podem fazer toda a diferença se precisares do dinheiro antes do tempo.

Antes de deixares as tuas poupanças no primeiro depósito que o banco te propõe, vale a pena perceber como funcionam, como se comparam e que cuidados deves ter. É isso que explicamos neste guia.

O que é um depósito a prazo

Num depósito a prazo, entregas ao banco uma quantia por um período definido (por exemplo, três meses, seis meses, um ano) e, em troca, recebes juros. Ao contrário da conta à ordem, o dinheiro fica, em princípio, imobilizado durante esse prazo. No fim, recebes o capital de volta, mais os juros acordados.

Existem várias modalidades:

  • Depósitos simples: a taxa de juro é conhecida à partida e o capital está garantido.
  • Depósitos não mobilizáveis antecipadamente: não podes levantar o dinheiro antes do fim do prazo. Em troca, a taxa costuma ser um pouco mais alta.
  • Depósitos indexados e duais: a remuneração depende da evolução de um indicador (como um índice de acções) ou combina um depósito com outro produto. São mais complexos e a remuneração pode ser incerta.

Se procuras segurança e simplicidade, os depósitos simples são os mais fáceis de compreender e comparar.

TANB, TANL e o que realmente recebes

A taxa anunciada é, quase sempre, a TANB (taxa anual nominal bruta). Há dois pormenores importantes a ter em conta:

  1. É uma taxa anual. Se o depósito for de seis meses, recebes apenas cerca de metade do juro anunciado; num depósito de três meses, cerca de um quarto.
  2. É bruta, antes de impostos. Os juros de depósitos são, em regra, sujeitos a retenção na fonte à taxa liberatória de 28%. O valor que entra na tua conta é o líquido, e a taxa correspondente é a TANL (taxa anual nominal líquida).

Imagina um depósito de 5000 euros a um ano, com uma TANB de 2%. O juro bruto seria de 100 euros; depois da retenção de 28%, receberias 72 euros. É este o número que interessa comparar.

Englobar ou não os juros no IRS

A retenção de 28% é liberatória: na maior parte dos casos, não tens de declarar os juros no IRS. Podes, no entanto, optar por englobá-los, ou seja, somá-los aos restantes rendimentos e sujeitá-los às taxas gerais. Essa opção pode compensar a quem tem rendimentos baixos e uma taxa de IRS inferior a 28%, porque permite recuperar parte do imposto retido.

Atenção: se optares pelo englobamento, tens de incluir todos os rendimentos da mesma categoria (rendimentos de capitais), como os juros de Certificados de Aforro. Faz a simulação no Portal das Finanças antes de decidir.

Como comparar depósitos

Para comparar propostas de forma justa, olha para estes elementos:

  • Taxa líquida e prazo: compara juros efectivamente recebidos para o mesmo montante e o mesmo prazo.
  • Montante mínimo e máximo: algumas taxas só se aplicam a um intervalo de valores.
  • Mobilização antecipada: podes levantar antes do fim? Perdes todos os juros ou só uma parte?
  • Renovação: o depósito renova-se automaticamente? Com que taxa? Muitas vezes, a taxa de renovação é bem mais baixa do que a inicial.
  • Pagamento dos juros: no fim do prazo ou periodicamente?
  • Condições associadas: obrigação de abrir conta, domiciliar o ordenado ou contratar outros produtos.

Todos estes elementos constam da ficha de informação normalizada, que o banco tem de te entregar antes da contratação. No Portal do Cliente Bancário, do Banco de Portugal, encontras informação sobre os teus direitos e podes consultar os preçários das instituições.

Até onde vai a garantia

Os depósitos em bancos autorizados em Portugal estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Em caso de indisponibilidade dos depósitos, o fundo garante até 100 000 euros por depositante e por instituição de crédito, somando todas as contas que tens nesse banco. Nas contas com vários titulares, o limite aplica-se separadamente a cada depositante.

Duas consequências práticas:

  • se tens poupanças acima deste valor, pode fazer sentido reparti-las por instituições diferentes;
  • antes de abrir um depósito num banco que não conheces, sobretudo em plataformas online, confirma que se trata de uma instituição autorizada e por que sistema de garantia está coberta. Bancos de outros países da União Europeia que operam em Portugal podem estar abrangidos pelo sistema de garantia do país de origem.

Depósitos e inflação

Um depósito protege o capital nominal, mas não protege necessariamente o poder de compra. Se a taxa líquida que recebes for inferior à inflação, o dinheiro perde valor real ao longo do tempo, mesmo que o saldo aumente. Isto não significa que os depósitos não sirvam: são adequados para o fundo de emergência e para objectivos de curto prazo, como as férias do próximo ano ou a substituição de um electrodoméstico. Para horizontes mais longos, pode valer a pena conhecer outras alternativas, sempre de acordo com o teu perfil e informando-te bem antes de decidir.

Estratégia simples: escalonar prazos

Se não sabes quando vais precisar do dinheiro, podes dividir a poupança por vários depósitos com prazos diferentes, por exemplo, uma parte a três meses, outra a seis e outra a doze. Assim, tens sempre uma parte a vencer em breve, o que reduz a necessidade de mobilizar antecipadamente e perder juros, e podes ir reaplicando conforme as condições do mercado.

Conclusão

Um depósito a prazo pode ser uma boa casa para as tuas poupanças, desde que saibas exactamente o que estás a contratar. Compara taxas líquidas para o mesmo prazo, lê as condições de mobilização e renovação, desconfia de promoções com demasiadas exigências e não ultrapasses o limite da garantia num único banco. E se queres diversificar dentro das opções de baixo risco, fica a saber como funciona o AforroNet, a plataforma online para subscrever e gerir Certificados de Aforro.

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