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Taxa de esforço: como calcular e qual o limite em 2026

Aprende a calcular a taxa de esforço, conhece o novo limite de 45% do Banco de Portugal para novos créditos e vê como baixar a tua antes de pedires um empréstimo.

Por Equipa Vamos Poupar · · 6 min de leitura

Calculadora e lapiseira sobre uma folha com contas

Antes de te emprestar dinheiro para a casa, o carro ou umas obras, o banco faz sempre a mesma conta: que parte do teu rendimento já vai para prestações? É a taxa de esforço, e saber como calcular a taxa de esforço é o primeiro passo para perceber quanto te podem emprestar e se o crédito cabe mesmo no teu orçamento.

Desde 1 de Agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda um limite mais apertado do que antes. Vê como fazer a conta, o que o banco considera e como baixar a tua taxa de esforço antes de pedires um empréstimo.

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço é a percentagem do teu rendimento mensal que fica comprometida com o pagamento de créditos. Na linguagem do Banco de Portugal chama-se DSTI: o rácio entre o total das prestações mensais de todos os empréstimos que tens e o teu rendimento mensal líquido de impostos e de contribuições para a Segurança Social.

Quanto mais alta for, menos margem tens para uma subida da Euribor, uma despesa inesperada ou uma quebra de rendimento. É por isso que o regulador lhe impõe um tecto.

Como calcular a taxa de esforço, passo a passo

A fórmula é simples:

Taxa de esforço = (soma das prestações mensais de todos os créditos ÷ rendimento mensal líquido) × 100

  1. Soma o teu rendimento líquido mensal. É o que recebes depois de IRS e Segurança Social. Se o pedido for feito a dois, junta os rendimentos dos dois titulares.
  2. Soma todas as prestações que já pagas. Crédito à habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, cartões de crédito, compras a prestações. O banco consulta o teu Mapa de Responsabilidades de Crédito, por isso não vale a pena esquecer nenhuma.
  3. Acrescenta a prestação do novo crédito que estás a pedir.
  4. Divide e multiplica por 100.

Exemplo prático

Um casal recebe, em conjunto, 2.500 euros líquidos por mês e paga 200 euros de um crédito automóvel. Está a pensar num crédito à habitação com uma prestação de 800 euros.

  • Prestações totais: 200 + 800 = 1.000 euros
  • Taxa de esforço: 1.000 ÷ 2.500 × 100 = 40%

Fica abaixo do limite, mas o banco não faz a conta só com a prestação de hoje, como vês mais abaixo.

Qual é o limite da taxa de esforço em 2026?

Segundo a medida macroprudencial do Banco de Portugal, os novos créditos à habitação, os créditos com garantia hipotecária e o crédito ao consumo devem ter uma taxa de esforço igual ou inferior a 45%. Até aqui, o limite recomendado era de 50%.

A regra aplica-se aos contratos cuja avaliação da solvabilidade aconteça a partir de 1 de Agosto de 2026, em todos os bancos e sociedades financeiras que concedem crédito em Portugal. Não mexe nos créditos que já tens: só nos novos.

Há uma excepção: cada instituição pode conceder até 10% do montante total de crédito, por semestre, a clientes que ultrapassem esse limite. Na prática, é uma margem estreita, reservada a casos que o banco considere de menor risco.

É uma recomendação do tipo "cumprir ou explicar": os bancos que não a seguirem têm de justificar a decisão ao Banco de Portugal.

Porque é que o banco calcula uma taxa de esforço mais alta do que a tua?

Há três motivos para o banco chegar a um valor diferente do teu:

  • Teste à subida dos juros. Nos créditos a taxa variável e mista, o banco tem de calcular a prestação considerando o impacto de um aumento da taxa de juro. A prestação usada na conta é, por isso, mais alta do que a da simulação.
  • Redução de rendimento na reforma. Se, no fim do contrato, tiveres mais de 70 anos, o banco tem de considerar uma descida do teu rendimento nesse período (excepto se já estiveres reformado quando pedes o crédito).
  • Todas as dívidas contam. Entram na conta as prestações de todos os empréstimos que tens, incluindo cartões de crédito e pequenas compras a prestações, que podem fazer a diferença entre um sim e um não.

Se já estás perto dos 45%, com estes agravamentos é provável que o banco te veja acima do limite.

Outros limites que contam no crédito à habitação

A taxa de esforço não é a única regra. O Banco de Portugal define também limites ao valor emprestado e ao prazo:

  • Valor do empréstimo face ao imóvel (LTV): até 90% para comprar, construir ou fazer obras em habitação própria e permanente; até 80% para outras finalidades. O valor de referência é o mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação.
  • Prazo do crédito à habitação: até 40 anos se tiveres 35 anos ou menos; até 35 anos se tiveres mais de 35.
  • Prazo do crédito ao consumo: até 7 anos no crédito pessoal, 10 anos no crédito automóvel e 10 anos no crédito pessoal para educação, saúde ou transição energética, desde que comprovada a finalidade.

Como baixar a taxa de esforço antes de pedir crédito

  • Liquida créditos pequenos. Acabar com uma prestação de 150 euros por mês pode libertar margem suficiente.
  • Cancela cartões de crédito que não usas. Muitos bancos consideram o limite disponível na análise, mesmo sem saldo em dívida.
  • Junta mais entrada. Pedir menos dinheiro reduz a prestação e melhora também o LTV.
  • Considera um prazo mais longo, dentro dos limites, sabendo que vais pagar mais juros.
  • Compara propostas de vários bancos. Um spread mais baixo significa uma prestação mais baixa. Se já tens crédito, também podes renegociar ou transferir o empréstimo quando a Euribor sobe.

Qual é uma taxa de esforço saudável?

O limite de 45% é um tecto, não um objectivo: quanto mais abaixo ficares, mais folga tens para poupar e aguentar imprevistos. Antes de assinar, consulta a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE) que o banco é obrigado a entregar e confirma a prestação, a TAEG e o montante total a pagar. O Portal do Cliente Bancário explica cada um destes elementos.

Conclusão

A taxa de esforço é a soma de todas as tuas prestações a dividir pelo rendimento líquido. Desde Agosto de 2026, o limite recomendado para novos créditos é de 45%, calculado com uma prestação agravada. Calcula a tua antes de ires ao banco, limpa os créditos pequenos e escolhe uma prestação que te deixe margem para viver.

Perguntas frequentes

Qual é a taxa de esforço máxima para crédito à habitação?

Para contratos avaliados a partir de 1 de Agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda uma taxa de esforço igual ou inferior a 45%, com uma excepção para até 10% do crédito concedido por cada banco em cada semestre.

O limite de 45% aplica-se ao crédito que já tenho?

Não. Aplica-se apenas a novos contratos de crédito. Os empréstimos que já tens mantêm as condições, mas as suas prestações contam para a taxa de esforço de um novo pedido.

Os cartões de crédito contam para a taxa de esforço?

Sim. A taxa de esforço considera as prestações de todos os empréstimos que tens, e os cartões de crédito também são crédito. Por isso, um cartão que não usas pode estar a reduzir a tua margem.

A taxa de esforço é calculada com o rendimento bruto ou líquido?

Com o rendimento mensal líquido, ou seja, depois de descontados o IRS e as contribuições obrigatórias para a Segurança Social.

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