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Burlas por SMS, telefone e WhatsApp: como te proteger

Falsos bancos, falsos filhos e falsos compradores: conhece as burlas digitais mais comuns em Portugal, os sinais de alarme e o que fazer se fores vítima.

Por Equipa Vamos Poupar · · 5 min de leitura

Burlas por SMS, telefone e WhatsApp: como te proteger

Uma mensagem do "banco" a dizer que a tua conta foi bloqueada. Um SMS de um "filho" que perdeu o telemóvel e precisa de pagar uma conta urgente. Um "comprador" interessado no sofá que anunciaste online e que te pede para ir ao multibanco receber o pagamento. As burlas digitais mudam de roupa com frequência, mas assentam quase sempre nos mesmos truques: pressa, confiança e um pedido de dinheiro ou de códigos.

Neste artigo reunimos os esquemas mais frequentes, os sinais que os denunciam e o que fazer, passo a passo, se perceberes que foste enganado. Partilha-o com quem te é próximo: muitas vítimas são pessoas menos habituadas à tecnologia.

As burlas mais comuns

1. O falso banco (phishing e vishing)

Recebes um SMS ou email com o logótipo do teu banco, a avisar de um acesso suspeito ou de uma actualização obrigatória, com uma ligação para um site praticamente igual ao verdadeiro. Noutra variante, alguém telefona a dizer que é do banco e, por vezes, o número que aparece no ecrã é mesmo o oficial, porque os burlões conseguem falsificá-lo. O objectivo é sempre o mesmo: obter credenciais de acesso ou os códigos de confirmação que autorizam pagamentos.

O Banco de Portugal tem alertado repetidamente que os bancos não pedem este tipo de informação por email, SMS ou telefone. E lembra que, se um pedido é urgente e parece estranho, isso é por si só um sinal para parar e confirmar.

2. "Olá pai, olá mãe"

Chega uma mensagem, normalmente por WhatsApp, de um número desconhecido: "Olá mãe, este é o meu número novo, o outro avariou." Segue-se uma conversa afectuosa e, pouco depois, o pedido para pagar uma factura ou fazer uma transferência porque a app do banco "ainda não está a funcionar". A urgência e o laço emocional fazem o resto.

3. O falso comprador no MB WAY

Anuncias um artigo numa plataforma de vendas e aparece um interessado que quer pagar por MB WAY. Como diz que não consegue, pede-te que vás a uma caixa multibanco e sigas as instruções dele para "receber" o dinheiro. Na realidade, as instruções servem para associar o teu cartão ao MB WAY do burlão, ou para fazer um pagamento. Lembra-te: para receber dinheiro não precisas de fazer nada no multibanco.

4. Encomendas, portagens e serviços públicos

SMS que dizem que uma encomenda está retida por falta de pagamento de uma pequena taxa, que tens uma portagem em dívida ou que precisas de "reactivar" a Chave Móvel Digital. A ligação leva a uma página que pede os dados do cartão. O valor pedido é baixo precisamente para não levantar suspeitas.

5. Investimentos milagrosos

Anúncios com figuras públicas, grupos de mensagens ou "consultores" que prometem rendimentos garantidos e muito elevados, quase sempre com criptoactivos. Desconfia de qualquer promessa de lucro sem risco e confirma sempre se a entidade está autorizada junto da CMVM ou do Banco de Portugal. Se queres perceber como funcionam as plataformas legítimas, lê o nosso guia sobre plataformas de trading.

Sinais de alarme

  • Urgência: "tem de ser hoje", "a conta vai ser bloqueada", "estou aflito".
  • Pedido de códigos: qualquer pessoa que te peça um código recebido por SMS ou na app está, muito provavelmente, a tentar autorizar uma operação em teu nome.
  • Mudança de canal: passar de uma plataforma de anúncios para o WhatsApp, ou de uma chamada para um link.
  • Dados bancários em nome de terceiros: o IBAN não pertence a quem diz ser o destinatário. A confirmação do beneficiário, que os bancos passaram a mostrar nas transferências, ajuda a detectar isto.
  • Ligações encurtadas ou endereços estranhos, com erros ortográficos ou domínios que imitam os oficiais.
  • Pedidos de instalação de apps de "assistência remota", que dão ao burlão controlo sobre o teu telemóvel ou computador.

Como te proteger no dia-a-dia

  1. Desliga e liga tu. Se receberes uma chamada do "banco", termina-a e liga para o número que está no verso do teu cartão ou no site oficial.
  2. Nunca partilhes códigos, PIN ou palavras-passe, seja com quem for.
  3. Entra nos sites escrevendo o endereço ou usando as apps oficiais, nunca através de ligações recebidas.
  4. Activa notificações de todos os movimentos e define limites diários para transferências e MB WAY.
  5. Mantém o telemóvel actualizado e instala apps apenas das lojas oficiais.
  6. Usa cartões virtuais ou temporários para compras online, quando o teu banco os disponibiliza.

Foste vítima de burla? Age depressa

Os primeiros minutos fazem diferença. Segue esta ordem:

  1. Contacta o banco de imediato pela linha oficial e pede o bloqueio de cartões, acessos e MB WAY. Muda as palavras-passe a partir de um dispositivo seguro.
  2. Pede a recuperação das operações. Se houve pagamentos que não autorizaste, comunica-o sem demora. O regime dos serviços de pagamento obriga, em regra, o banco a reembolsar uma operação não autorizada até ao final do dia útil seguinte àquele em que dela teve conhecimento, salvo se tiver motivos fundados para suspeitar de fraude do próprio cliente. O prazo máximo para comunicar é de 13 meses após o débito, mas os tribunais europeus têm sublinhado que deves fazê-lo assim que dás pelo problema.
  3. Apresenta queixa na PSP, na GNR ou na Polícia Judiciária, levando capturas de ecrã, números de telefone, IBAN e comprovativos.
  4. Avisa os teus contactos se as tuas contas de WhatsApp ou redes sociais foram usadas para enganar outras pessoas.

Atenção a uma distinção importante: se foste tu a fazer a transferência, ainda que enganado, a operação é normalmente considerada autorizada e o reembolso pelo banco não é automático. Nesses casos, a queixa às autoridades e o contacto rápido com o banco do destinatário são a melhor hipótese de recuperar o dinheiro.

Se o teu banco não responder de forma adequada, podes apresentar reclamação no Livro de Reclamações e consultar o Portal do Cliente Bancário, onde o Banco de Portugal explica os teus direitos.

Conclusão

A tecnologia tornou os pagamentos mais rápidos, e os burlões aproveitam exactamente essa rapidez. A melhor defesa continua a ser simples: desconfiar da pressa, nunca partilhar códigos e confirmar tudo por um canal que és tu a escolher. Fala destes esquemas com pais, avós e filhos. Uma conversa de cinco minutos pode evitar a perda das poupanças de uma vida.

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